purgativo

12.04.12

gostaria de ser a cuidada por só um dia. cansei de cuidar de todo mundo, de ser a durona, aquela que aguenta qualquer tranco.
queria que, uma vez só, me vissem, vissem os meus problemas e entendessem que, poxa, eu sou só uma casca.

essa casca ficou tão arrebentada que talvez nunca volte a ser rígida e lustrosa, protegendo um interior que talvez até fosse bonito, não fossem todas as fissuras que o transpassaram.

08.12.11

texto lindo escrito por uma amiga, descrevendo amor e decepção como eu nunca conseguiria:

Acho ainda que essa coisa de amor é fraqueza. Porque hoje vou dormir sentida, com o coração pequeno e cheio de mágoas. Fraca. Lembrei, com os olhos cheios de lágrimas, o quanto fui feliz andando descalça pelo chão gelado da sua casa. Do quanto a vida parecia ser boa e fácil, como naquela canção do Jobim. Você era o meu pedaço mais charmoso e bonito. Era o meu Rio de Janeiro. Porque me fazia bonita e leve quando eu acordava com os cabelos desgrenhados e uma cara desajustada sorrindo pra você de olheira a olheira. Porque me fazia melhor nessa minha rotina mansa, inundada por dias insossos e, muitas vezes, insuportávelmente pesada. Como naquele dia claro em que sol se expôs mais cedo pra ver a gente no chão da sua sala. Quando você me fez sentir a menina com uma flor daquele poema do Vinicius. Acho que felicidade era isso, sabe. Pena que eu a esquecia com você enquanto voltava pra casa. Pena que naquele dia em que a gente comprou pizza e atravessou a rua correndo você não quis segurar a minha mão. Amanhã, não quero mais me lembrar disso. Amanhã eu vou acordar e nunca mais vou dizer o teu nome a ninguém, nem jurar pra mim que ainda vamos ser felizes. Mas hoje, agora, quase quatro da manhã, você é a minha vontade de nunca ter estado lá, a vontade de não ter passado a mão no seu cabelo naquele dia, perto da piscina. É a minha mais lenta e desconcertada saudade de ver o mundo deitado dentro do teu olho. Porque olho o hoje e o coração ficou feio, amor, arrebentado. Hoje vou dormir doente, com tosse. Tosse de desafeto. Não queria que me visse assim, refém-avessa dessa minha capacidade de insistir que veio ao longo desse ano judiando de mim, batendo na minha cara. Hoje fiquei opaca. Perdoa a dor e o meu ciúme. Perdoa o descontrole e as piadas ruins. Perdoa a camisa que não lhe entreguei. Perdoa eu. Devia ter lido menos Gabito, ouvido menos Chico. Devia estar com o coração menos fodido.”


(Ellen Rodrigues)

06.12.11

sem dormir às 5 da manhã muitas coisas passam pela cabeça.

percebi que perdi a paixão.

eu via tanto, ouvia tanto, falava tanto, lia tanto. era uma descoberta atrás da outra, tinha amor pelas minúcias.

não sei onde me perdi. me lembro dessa pessoa apaixonada pelos filmes, pelos livros, pela música, pelas pessoas, pela carreira, pela rua, pela vida.

hoje não presto atenção em nada, não assisto a nada que não esteja na minha frente, não leio nada que não seja obrigada, só saio de casa arrastada e ouço as músicas que me mantêm nesse estado. sonâmbula.

não era uma feliz, era só uma apaixonada. apaixonada pelo agora e pelo futuro. sabia no fundo que não importava o que acontecesse, tudo daria certo se eu continuasse no meu caminho.

me lembro dessa pessoa mas não sei onde a deixei.

02.09.11

e em meio à dor e ao desespero, elas se conheceram. e se reconheceram.

12.08.11

tudo que vem fácil, por melhor que seja, vai embora fácil também. isso foi o que eu aprendi hoje.

28.07.11

um dia aqui eu ganhei uma brincadeira dessas de parque de diversões. eu acertei uma cesta muito alta de basquete e como brinde poderia escolher o bicho de pelúcia que eu quisesse.

escolhi esse sapo que estava empoeirado num canto. a moça confirmou “esse mesmo?” e eu disse que sim. assoprei a poeira e limpei de leve com a mão.

antes que eu botasse o bicho debaixo do braço e saísse andando, minha mãe resolveu analisar e notou um rasgo na costura do bracinho. ela quis trocar, eu disse que gostava dele assim.

parece imbecil dizer que me identifico com um bicho de pelúcia, algo que nem é uma criatura e tampouco um humano, mas foi o que aconteceu.

tudo que eu precisava era que alguém me escolhesse, limpasse e cuidasse, aceitando meus defeitos sem julgar sua origem.

28.07.11

uma vez eu me apaixonei por uma pessoa. me arrisco a dizer que esse foi o amor da minha vida e muito provavelmente nunca vou encontrar alguém assim, apesar de no fundo ter alguma esperança.

hoje eu sou uma pessoa vazia, se é que me faço compreender, uma pessoa que vive à sombra da vida, que não se sente feliz e realizada com nada.

aula, trabalho, sair, se arrumar… tudo vai no automático, sem motivo aparente. nada agrada.

olho álbuns de outras pessoas sorridentes talvez esperando encontrar naquelas pessoas, naqueles sorrisos, algo que eu poderia ter sido se eu não fosse vazia. e de repente eu consiga sobreviver vivendo através dessas vidas, dessas histórias, desses sorrisos.

26.07.11

aquele momento do fim de tarde de terça-feira que vc percebe que não faz idéia do que está fazendo da vida.

29.01.11

e sozinha andando pela casa eu me identifiquei com esse gato também sozinho andando pela casa. com um misto de medo e desejo de ser descoberto e acariciado, adorado como o melhor gato do mundo que sabia que poderia ser.